Coloquem seus telefones em modo avião…

 

Todo mundo que já viajou de avião já ouviu os comissários pedirem para desligar seus telefones celulares ou colocarem os mesmos em modo avião. (Hummmm… melhor dizer a verdade aqui: todo mundo que largou o telefone celular para prestar atenção no que os comissários falam sobre segurança no início do voo já ouviu o pedido para desligar ou colocar o celular em modo avião). Acredito que muitos se perguntaram o motivo disto (alguns, mais viciados no seu smartphone, devem ter tido calafrios pensando: “Oh céus, como vou ficar offline por vários minutos! E se receber aquela imagem no grupo dos amigos? E se eu perder o post daquela pessoa que eu sigo enlouquecidamente no Instagram?).

Vou aqui tentar explicar um pouco sobre este assunto. Como todos já sabem, o objetivo aqui deste Blog é simplificar e facilitar o entendimento. Se você quiser fórmulas, testes, relatórios e mais detalhes, entre em contato que eu passo algumas referências.

A maior preocupação de qualquer empresa aérea séria e fabricantes de aviões (e helicópteros, pronto, falei de helicópteros aqui no blog) é: SEGURANÇA. A cada incidente, lições são aprendidas e reincidências evitadas.

“Ah, sempre ouvi que celular causa interferência nos aparelhos da aeronave, nos fones dos pilotos, desliga o piloto automático e derrubam aviões.”. Bom, diversos estudos foram realizados por várias instituições (desde a Nasa, Boeing e Airbus chegando até os “Mythbusters, os caçadores de mitos”).  Todos os testes não conseguiram provar que os telefones causam interferência nos sistemas da aeronave. Órgãos como o FCC (a “Anatel” dos Estados Unidos, porém séria e que funciona de verdade) possuem padrões e testam todos os equipamentos emissores de rádiofrequência (celulares, tablets, notebooks, etc.) e somente liberam o que passa. Ou seja, os fabricantes são obrigados a cumprir as regras definidas ou seus produtos não podem ser vendidos. O próprio Modo Avião surgiu destas regras, ele desativa todas as emissões de ondas de rádio. Até hoje, nenhum caso de interferência causada por telefones celulares foi identificado e devidamente comprovado. Fique tranquilo, aquela mensagem no WhatsApp da sua mãe desejando boa viagem, que você recebeu 30 segundos após o avião decolar e você ter esquecido de desligar o seu telefone,  não vai derrubar o avião (claro, alguns passageiros irão te olhar com cara feia pois você desobedeceu uma orientação dos tripulantes). Ainda, as frequências que operam os sistemas aeronáuticos NÃO são as mesmas dos telefones. Existem “separações”, isto é, o espectro de frequências é dividido de acordo com o uso.

Um ponto importante aqui é: estudos não conseguiram comprovar a interferência, mas, como é possível (apesar de muito pouco provável), por segurança, se manteve a orientação de desligar ou por em modo avião.

-Mas então é só isso?

Não. Existem outros fatores além da interferência.

Todo mundo já viu pessoas olhando fixamente para os seus telefones e esbarrando em postes, tropeçando na calçada, quase sendo atropeladas e outras situações que geram vídeos engraçados (ou trágicos). Smartphones (e tablets e outros dispositivos eletrônicos) são uma fonte inesgotável de distração para as pessoas. A decolagem e o pouso são as etapas mais críticas em termos de segurança – pode ser necessário evacuar a aeronave, por exemplo – e é bem mais seguro quando as pessoas estão atentas e ouviram as explicações dos comissários. Por isso, melhor garantir que ninguém vai ficar enviando fotos e vídeos da decolagem, por exemplo (sim, dá para tirar fotos e fazer vídeos, desde que o aparelho esteja em modo avião).  As duas fotos na parte de baixo deste post provam que para algumas pessoas, aquela selfie ou o vídeo do avião sendo evacuado são mais importantes que a vida (delas e das outras pessoas, pois tem um indivíduo parado na saída de emergência que quer uma última selfie antes de deixar a aeronave). Já fiz um post sobre isto: E quando os “problemas acontecem?”ou evacuação da aeronave

– Entendi, então é isso?

Não. Outro ponto é para evitar atrapalhar a comunicação dos celulares em terra. Os telefones estão o tempo todo tentando se comunicar com as antenas em solo. A maioria, é montada de forma a cobrir uma região no chão e não são apontadas para cima, mas isto não impede que (até determinada altitude) o sinal dos telefones dentro de um avião sejam captados por estas antenas (se você já deixou o seu telefone ligado, deve ter recebido um SMS enquanto voava). Como o avião se desloca com velocidades bem acima daquelas encontradas no solo (seu carro, por exemplo), diversas “torres” (estações de celular) irão captar o sinal do seu telefone em intervalos muito curtos… imagine estas diversas torre tendo que lidar com 200 telefones tentando se registrar ao mesmo tempo e segundos depois desaparecem e apareceram em outras, depois em outras e assim por diante. Não gera o caos, mas atrapalha.

Em resumo: obedeça as orientações dos tripulantes! Hoje em dia, já existem serviços que permitem que você utilize o seu celular a bordo (pagando roaming internacional) e serviços WiFi com acesso internet em tempo real ou acesso ao conteúdo de entretenimento da aeronave. Espere o avião decolar e estes serviços serem ativados.

-Aha!!! E como estes não interferem com o que foi dito antes?????

Simples, as aeronaves com estes serviços são adaptadas para isto (proteção extra). Aquelas com o serviço de telefone celular, utilizam uma potência baixíssima (afinal, os telefones e os passageiros estão dentro dela).

Tenham bons voos!

PS: para aqueles que se assustaram com a foto do piloto usando o telefone celular, é montagem tá?! Eles estão bastante ocupados e são treinados (além de poderem sofrer punições severas.

PS2: Quando falo de aviação aqui no blog, me refiro à aviação comercial. Se alguém tiver um avião e decidir fazer uma selfie e causar um acidente…. bom, é a mesma coisa que ocorre quando as pessoas estão dirigindo e querem fazer fotos e vídeos.

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Um gigante nos céus brasileiros…

 

Demorou um pouco, mas agora temos um grande visitante diário no céu (e na terra) do Brasil. Sim, o Airbus A380 – o maior avião comercial em uso (e já criado) – agora voa todos os dias entre Dubai e Guarulhos. Este voo é operado pela Emirates (a maior operadora de A380 do mundo com 67 aeronaves deste modelo e pedido de compra para mais 140!).

Estou escrevendo para passar algumas informações e curiosidades sobre este modelo de aeronave. Já tive oportunidade de voar neste modelo e ele se comporta de uma forma extremamente dócil. Sua manobrabilidade é muito parecida com a de um A320 (temos muitos na TAM, Avianca e agora, na Azul também). Dizem os pilotos que a única diferença é a inércia (percebida, principalmente, na desaceleração). Como se fosse um transatlântico manobrando como uma balsa Rio-Niterói.

Bom, vamos a alguns fatos… Utilizei algumas comparações para dar uma ideia do número.

Na sua pintura, são utilizados 3.600 litros de tinta (Michelângelo poderia pintar umas 97 Capelas Sistinas). O exterior da aeronave tem 3.100 metros quadrados. Ele tem 72.7 metros de comprimento (ou duas baleias azuis enfileiradas). Do solo até a ponta do seu leme, temos 24.1 metros (ou um prédio de 10 andares ou 5 girafas adultas uma em cima da outra – não me perguntem como elas teriam que se equilibrar, mas seria bacana de ver). Da ponta de uma asa a outra, são 80 metros (ou o equivalente a 2 vezes a distância que os irmãos Wright voaram na primeira vez – quando disseram que inventaram o avião). O A380 pode pesar até 580 toneladas (ou 165 elefantes ou 19 caminhões de cimento cheios). Por ser muito largo e ter 4 motores, para taxi e reverso (durante o pouso) são utilizadas apenas os motores mais centrais pois os motores mais externos podem fazer com que grama, areia, pedras, etc. pudessem ser arremessadas contra a aeronave ou sobre as pistas de taxiamento e/ou pouso. A área útil interna das suas cabines (a de cima e a de baixo) é de 550 metros quadrados. Se fossem enfileirados todos os cabos que são utilizados neste modelo, somariam 532 Km! Na sua configuração com primeira classe, executiva e econômica, um A380 carrega cerca de 525 pessoas (pode variar de empresa aére para empresa aérea, já que um avião é como um lego – cada um monta do jeito que quer). Na configuração toda classe econômica, cabem 853 passageiros. Em testes de homologação, os 853 passageiros e os 20 tripulantes, que são necessários para atender todo mundo, foram evacuados em 78 segundos com 8 das 16 saídas de emergência obstruídas!

Em termos de consumo de combustível, a maioria das pessoas deve pensar que suas 4 turbinas devem gastar “um horror” e que ele polui o meio ambiente de forma catastrófica. Na verdade, ele é muito econômico. Um A380 faz, em média, 24.69Km/l por passageiro. Um Toyota Prius (um modelo híbrido e muito econômico), faz 21,27Km/l. Em voo, o avião produz 75g de CO2 por passageiro (ou metade do exigido pela União Européia para carros produzidos em 2008). O projeto deste modelo de aeronave foi feito pensando em eficiência (afinal, quem compraria um avião deste tamanho que gastasse muito? Bom, talvez aqueles que compram um Humer H2…). Tanto que o projeto iniciou no final da década de 80 e seu primeiro voo foi em 2005!

Com todo seu tamanho e espaço útil, as companhias aéreas inovaram em qualidade de serviço. A primeira classe possui suítes para 2 pessoas. O banheiro tem ducha (por razões de peso, cada passageiro da primeira classe pode tomar um banho de até 5 minutos de água correndo). No deck superior, há um bar completo (inclusive os assentos do bar são equipados com cintos de segurança para o caso de uma turbulência (sem que os passageiros precisem retornar aos seus lugares). Há uma configuração onde existe um free shop dentro da aeronave!

A menor rota operada por este gigante é um voo entre Dubai e Doha com apenas 379 Km! A maior é Dubai – Auckland (Nova Zelândia) com 14.203 Km.

Tenham todos bons voos!

 

Sobre os recentes acidentes aéreos…

Todas as estatísticas e posts que faço aqui se referem à aviação comercial. Sim, aquela que envolve empresas aéreas regulares que transportam passageiros e cargas (e que, provavelmente, você ou alguém da sua família já voou ou vai voar).
A aeronave envolvida no acidente que vitimou o ministro do STF Teori Zavascki faz parte de um grupo diferente: aeronaves executivas (de uma pessoa ou grupo econômico). O avião que vitimou o time da Chapecoense, jornalistas e tripulação, faz parte de um outro grupo: a das empresas de taxi aéreo e fretamento.
Mas, qual é a diferença? Não é tudo avião igual?
A resposta é: NÃO. Cada grupo possui regulamentação (regras e leis) específicas. No caso, a aviação comercial é a que possui o maior número de leis, obrigações e requisitos de segurança. Uma aeronave comercial não decola, por exemplo, se o Gravador de Voz (CVR – Cockpit Voice Recorder) ou se o Gravador de Parâmetros de Vôo (FDR – Flight Data Recorder) não estiverem funcionando. Estes gravadores são as chamadas “Caixa Pretas” (que, na verdade, são da cor laranja para facilitar sua localização após um acidente) e sim, são 2 equipamentos separados (ou 2 Caixas Pretas) e não uma só! Aeronaves Executivas, ou particulares, podem ou não ter os gravadores (são opcionais) e podem operar sem elas. Revisões obrigatórias, exames de saúde da tripulação, estrutura da empresa, dentre outros itens, completam a diferença entre os tipos de empresas e aeronaves.
– Ah, mas o avião da Chapecoense tinha as 2 caixas pretas (laranjas) mas estas não gravaram os últimos 2 minutos do voo!
Sim, isto é verdade. Para funcionar, os equipamentos precisam de energia elétrica e, quando acabou o combustível e os motores pararam, acabou a energia. Aquela aeronave não possui a RAT (O que é isso???).
Muito se especula sobre o acidente envolvendo uma aeronave King Air C90GTx que deixou 5 vítimas fatais – incluindo o ministro do STF. Minha posição em todo e qualquer tipo de acidente aéreo é: evitar especulações e não tirar conclusões sem antes ler o relatório final do acidente emitido pelas autoridades responsáveis por isto. No caso do acidente envolvendo o time da Chapecoense, até escrevi algumas observações em meu perfil no Facebook tentando “clarear” um pouco algumas informações/boatos que surgiram e, normalmente, são criados pelos “especialistas da internet”. As primeiras “notícias” sobre o acidente com o King Air diziam que a aeronave não possuía os gravadores (são opcionais neste modelo). Depois, a FAB disse que encontrou “um gravador de voz” (opa, afinal, ele estava equipado com isto ou não?). Minha recomendação: aguarde até o final do relatório.
Desde que os primeiros seres (ditos “humanos”) inventaram a linguagem, acabaram também por criar as “Teorias da Conspiração”. No caso de acidente envolvendo pessoas públicas ou envolvidas em alguma atividade com alta divulgação ou importância, estas teorias ganham volume. Quero deixar claro que não estou aqui excluindo nenhuma causa! Sim, pode ter sido sabotagem ou ato criminoso (temos vários destes na história, não só da aviação). Mas também devem ser analisados, também, fatores como: clima, tripulação, desempenho da aeronave (em relação a falhas), combustível, ato criminoso, etc. Até o presente momento, nada pode ser descartado. A máxima da aviação é sempre verdade: um acidente sempre é uma sequencia de erros ou problemas que não foram impedidos. Claro, isto não se aplica para os casos de terrorismo (bombas a bordo, sequestros de aeronaves – como no 11 de setembro ou no caso daquele Boeing 777 que foi atingido por um míssil sobre a Ucrânia)!
Para tranquilizar a maioria das pessoas, faço uma observação: vocês voam (pelo menos 99,99% das pessoas que conheço) com empresas da Aviação Comercial! O nível de segurança é muito maior!
Outra observação: 2016 foi um dos anos mais seguros da história da aviação! Não acredita? Veja o gráfico abaixo, que mostra a quantidade de acidentes por ano, desde 1946, envolvendo aeronaves de 14 ou mais passageiros – comerciais e executivas!
estatisticas
O ano de 2016 só perdeu para 2015 (o ano com o menor número de acidentes nesta série de medições). Foram 325 vítimas fatais em 19 acidentes (3 na decolagem, 1 durante a subida até o nível de cruzeiro, 13 em cruzeiro, 2 na aproximação para pouso e nenhum na aterrizagem – para aqueles que gostam de tudo nos detalhes). No Brasil, não tivemos acidentes com vítimas fatais que se enquadram neste critério (aeronaves com 14 ou mais passageiros). Em 2015, foram 16 acidentes e 265 vítimas fatais.
Considerando o volume mundial de voos com passageiros, cerca de 35.000.000 voos, a taxa de vítimas fatais ficou de 1 para cada 3.200.000 voos! (dos 19 acidentes, 11 foram com aeronaves de passageiros! E, destes 11, 2 foram causados por atos de terrorismo!).
Voar é seguro! Se não acredita, veja as estatísticas!
Tenham bons voos!