Um gigante nos céus brasileiros…

 

Demorou um pouco, mas agora temos um grande visitante diário no céu (e na terra) do Brasil. Sim, o Airbus A380 – o maior avião comercial em uso (e já criado) – agora voa todos os dias entre Dubai e Guarulhos. Este voo é operado pela Emirates (a maior operadora de A380 do mundo com 67 aeronaves deste modelo e pedido de compra para mais 140!).

Estou escrevendo para passar algumas informações e curiosidades sobre este modelo de aeronave. Já tive oportunidade de voar neste modelo e ele se comporta de uma forma extremamente dócil. Sua manobrabilidade é muito parecida com a de um A320 (temos muitos na TAM, Avianca e agora, na Azul também). Dizem os pilotos que a única diferença é a inércia (percebida, principalmente, na desaceleração). Como se fosse um transatlântico manobrando como uma balsa Rio-Niterói.

Bom, vamos a alguns fatos… Utilizei algumas comparações para dar uma ideia do número.

Na sua pintura, são utilizados 3.600 litros de tinta (Michelângelo poderia pintar umas 97 Capelas Sistinas). O exterior da aeronave tem 3.100 metros quadrados. Ele tem 72.7 metros de comprimento (ou duas baleias azuis enfileiradas). Do solo até a ponta do seu leme, temos 24.1 metros (ou um prédio de 10 andares ou 5 girafas adultas uma em cima da outra – não me perguntem como elas teriam que se equilibrar, mas seria bacana de ver). Da ponta de uma asa a outra, são 80 metros (ou o equivalente a 2 vezes a distância que os irmãos Wright voaram na primeira vez – quando disseram que inventaram o avião). O A380 pode pesar até 580 toneladas (ou 165 elefantes ou 19 caminhões de cimento cheios). Por ser muito largo e ter 4 motores, para taxi e reverso (durante o pouso) são utilizadas apenas os motores mais centrais pois os motores mais externos podem fazer com que grama, areia, pedras, etc. pudessem ser arremessadas contra a aeronave ou sobre as pistas de taxiamento e/ou pouso. A área útil interna das suas cabines (a de cima e a de baixo) é de 550 metros quadrados. Se fossem enfileirados todos os cabos que são utilizados neste modelo, somariam 532 Km! Na sua configuração com primeira classe, executiva e econômica, um A380 carrega cerca de 525 pessoas (pode variar de empresa aére para empresa aérea, já que um avião é como um lego – cada um monta do jeito que quer). Na configuração toda classe econômica, cabem 853 passageiros. Em testes de homologação, os 853 passageiros e os 20 tripulantes, que são necessários para atender todo mundo, foram evacuados em 78 segundos com 8 das 16 saídas de emergência obstruídas!

Em termos de consumo de combustível, a maioria das pessoas deve pensar que suas 4 turbinas devem gastar “um horror” e que ele polui o meio ambiente de forma catastrófica. Na verdade, ele é muito econômico. Um A380 faz, em média, 24.69Km/l por passageiro. Um Toyota Prius (um modelo híbrido e muito econômico), faz 21,27Km/l. Em voo, o avião produz 75g de CO2 por passageiro (ou metade do exigido pela União Européia para carros produzidos em 2008). O projeto deste modelo de aeronave foi feito pensando em eficiência (afinal, quem compraria um avião deste tamanho que gastasse muito? Bom, talvez aqueles que compram um Humer H2…). Tanto que o projeto iniciou no final da década de 80 e seu primeiro voo foi em 2005!

Com todo seu tamanho e espaço útil, as companhias aéreas inovaram em qualidade de serviço. A primeira classe possui suítes para 2 pessoas. O banheiro tem ducha (por razões de peso, cada passageiro da primeira classe pode tomar um banho de até 5 minutos de água correndo). No deck superior, há um bar completo (inclusive os assentos do bar são equipados com cintos de segurança para o caso de uma turbulência (sem que os passageiros precisem retornar aos seus lugares). Há uma configuração onde existe um free shop dentro da aeronave!

A menor rota operada por este gigante é um voo entre Dubai e Doha com apenas 379 Km! A maior é Dubai – Auckland (Nova Zelândia) com 14.203 Km.

Tenham todos bons voos!

 

Conhecendo um pouco mais do Concorde

Um dos aviões mais famosos do mundo é o Concorde e, por incrível que pareça, apresenta o maior nível de desconhecimento em relação a suas “habilidades” e características. Operado apenas pela British Airways e pela Air France, o Concorde até hoje detém o recorde de velocidade em voos da aviação comercial. Você sabia que o Concorde já teve rotas regulares para o Brasil? Em setembro de 1971 houve um voo experimental que pousou em Campinas (Viracopos). Em 1976 a Air France inaugurou a rota Paris-Rio com este tipo de aeronave, porém, devido aos altos custos de combustível e preço das passagens (todos os assentos possuíam serviço de primeira classe), esta rota durou apenas 6 anos.

Os Concordes voaram regularmente até 2003. Durante todo este período, tiveram apenas 1 acidente com vítimas: aquele concorde que caiu na França em 25 de julho de 2000. O seu record de travessia do Atlântico foi em 1996 quando voou de Londres para Nova Iorque em 2 horas e 53 minutos (quase uma “máquina do tempo”, o horário de chegada era menor do que o de saída!).

Alguns fatos para ilustrar este projeto único, realizado em conjunto entre ingleses e franceses. Inclusive, o nome Concorde (em francês) ou Concord (em inglês) foi escolhido por significar as mesmas coisas em inglês e francês: acordo, harmonia ou união. Seu projeto iniciou no início da década de 1950, voou pela primeira vez em 1969 e entrou e, serviço em 1976 apenas. Isto reflete o alto grau de complexidade de um projeto como este.

O Concorde tinha na cabine 2 pilotos e 1 engenheiro de voo (foi a última aeronave a manter um engenheiro de voo na cabine), levava entre 92 e 120 passageiros. Podia voar a mach 2,04 (duas vezes a velocidade do som) ou, aproximadamente, 2.179 Km/h, mas sua velocidade de cruzeiro era de mach 2,02 ou 2.158 Km/h. Voava a 60 mil pés de altitude (o equivalente a 18.300 metros) – para se ter uma ideia, os aviões comerciais hoje voam entre 31 mil e 39 mil pés (entre 9.448 metros e 11.887 metros). Em dias claros e condições ideais, os passageiros podiam ver a curvatura da terra! Uma das preocupações era com a radiação que as pessoas receberiam a 60 mil pés (menos atmosfera para proteger o corpo). A preocupação era tamanha que dentro da cabine havia um medidor de radiação que, quando apontava um aumento, indicava que o avião deveria descer para 47 mil pés. Em geral, a radiação era compensada pelo tempo e não causou problemas (mais radiação em menos tempo de voo versus menos radiação em maior tempo de voo dos aviões convencionais).

Durante seu voo supersônico, a fuselagem do Concorde chegava a 127 graus C no nariz, 105 C nas asas e 98 C no corpo. O calor era gerado pela pressão do ar e atrito a estas velocidades. Isto foi um grande desafio, pois a aeronave “expandia” até 27 centímetros em voo. Para reduzir a temperatura (em até 11 graus), todos os Concordes eram brancos. Em 1996, em um acordo entre a Air France e Pepsi, um Concorde foi pintado de azul (e com o logo da Pepsi), devido à mudança na cor (e impacto no aumento da temperatura), este avião só poderia voar a duas vezes a velocidade do som (mach 2, 2.469 Km/h) por 20 minutos e depois tinha que reduzir para mach 1,7 (2.099 Km/h). Por sua velocidade, o Concorde foi muitas vezes utilizado para transporte de órgãos doados. A duas vezes a velocidade do som, os seus motores queimavam 22 mil litros de combustível por hora!

O Concorde decolava a 220 nós (cerca de 407 Km/h) e pousava a 187 nós (347 Km/h). Quase o dobro dos aviões comerciais equivalentes. Carregado, precisava de 3.600 metros de pista para decolar e atingia velocidade supersônica após apenas 25 minutos de voo (devido ao impacto causado ao romper a barreira do som, o Concorde foi proibido de voar supersônico sobre os continentes depois de alguns anos).

Um destaque é o seu “nariz”. Observe nas fotos acima que o nariz precisava ser abaixado durante as operações de decolagem e pouso para permitir que os pilotos pudessem ver o solo. A medida que a sua velocidade aumentava, o nariz subia (como uma máscara ou como um óculos para o vento). No YouTube existem alguns vídeos que mostram como isto acontecia por dentro do cockpit.

A União Soviética fez sua versão do Concorde, dizem que foi copiado de um projeto roubado por um espião, o Tupolev Tu-144. Porém, devido a problemas no projeto, dificuldades para se pilotar o avião e um acidente fatal em 1978, operou apenas por 2 anos (1977 e 1978).

Hoje, alguns exemplares desta linda aeronave podem ser encontrados em museus… um descanso e uma homenagem ao velocista da aviação comercial.

Bons voos!

Mais uma ave rara… Ou baleia voadora?

A fabricante de aeronaves Airbus fica na Europa. É formada por fábricas localizadas em diferentes países (observe na figura quais são as partes de um A380 e onde são produzidas). Por tradição, cada fábrica (própria ou parceira) produz uma “peça inteira” (um pedaço do avião). Posteriormente, cada pedaço é transportado para uma área de montagem onde nasce o avião (sim, sai de lá pronto e pintado). No início, cada parte era transportada por via terrestre (imagine o transtorno em bloqueios de estradas e passagens) e marítma (onde possível). Com o aumento da escala de produção (aumento da demanda), aumento das aeronaves e dificuldade de manuseio de uma carga deste volume (apesar de não ser muito pesada para seu tamanho) a Airbus decidiu partir para o transporte aéreo.

No início, a Airbus fez uso de um avião de carga da Boeing que teve a fuselagem modificada para poder transportar os grandes volumes. Ficou chato. Diziam que cada Airbus foi transportado nas asas de um Boeing. O pessoal da Airbus cansou da piada e resolveu adaptar um de seus projetos (o Airbus A300, na foto, uma fuselagem branca e cauda vermelha). O A300 teve sua fuselagem modificada para aumentar o volume de carga que pode levar. Observe que a carga entra pela frente (acima da cabine dos pilotos), abastecida por uma esteira. Não é o avião de carga com maior capacidade de transportar peso, mas é o que carrega mais volume.

Originalmente, o nome desta ave era “Super Transporter” (ou Super Transportador). Mas, por razões obvias, iniciaram as comparações com uma espécie de baleia, as belugas (foto acima). A Airbus não resistiu por muito tempo e logo mudou o nome do projeto para Beluga. Agora, a Airbus está trabalhando em um projeto maior, o Beluga XL, que será baseado no Airbus A330. Este “belugão” deve iniciar seus voos lá por 2020.

O Beluga é voado por 2 pilotos, carrega 47 toneladas de carga e tem 1.410 metros cúbicos de volume para cargas.  Tem 56,13 metros de comprimento e 44,84 metros de asa a asa. Tem autonomia de 2.779 km quando leva 40 toneladas ou 4.632 km quando leva 26 toneladas.

Fly safe.

Avião com asas ímpares???

Este avião pertence ao grupo de “Aves Raras”. Esteve aqui em Guarulhos e, antes, estava em Viracopos. Trata-se de um 757 modificado pela Honneywell (fabricante de aviônicos) para servir como plataforma de testes. O que chama bastante atenção é aquela pequena asa ao lado direito da aeronave. Serve para testar motores e outros instrumentos. A posição desta “asinha” foi cuidadosamente calculada para não interferir na aerodinâmica da aeronave bem como proporcionar um fluxo de ar livre para o motor a ser testado. O interior também serve de laboratório para dispositivos como entretenimento a bordo, novos assentos, wifi a bordo, radar meteorológico, etc.

O que nos visitou estava sem turbina na sua “asinha”.