Sobre os recentes acidentes aéreos…

Todas as estatísticas e posts que faço aqui se referem à aviação comercial. Sim, aquela que envolve empresas aéreas regulares que transportam passageiros e cargas (e que, provavelmente, você ou alguém da sua família já voou ou vai voar).
A aeronave envolvida no acidente que vitimou o ministro do STF Teori Zavascki faz parte de um grupo diferente: aeronaves executivas (de uma pessoa ou grupo econômico). O avião que vitimou o time da Chapecoense, jornalistas e tripulação, faz parte de um outro grupo: a das empresas de taxi aéreo e fretamento.
Mas, qual é a diferença? Não é tudo avião igual?
A resposta é: NÃO. Cada grupo possui regulamentação (regras e leis) específicas. No caso, a aviação comercial é a que possui o maior número de leis, obrigações e requisitos de segurança. Uma aeronave comercial não decola, por exemplo, se o Gravador de Voz (CVR – Cockpit Voice Recorder) ou se o Gravador de Parâmetros de Vôo (FDR – Flight Data Recorder) não estiverem funcionando. Estes gravadores são as chamadas “Caixa Pretas” (que, na verdade, são da cor laranja para facilitar sua localização após um acidente) e sim, são 2 equipamentos separados (ou 2 Caixas Pretas) e não uma só! Aeronaves Executivas, ou particulares, podem ou não ter os gravadores (são opcionais) e podem operar sem elas. Revisões obrigatórias, exames de saúde da tripulação, estrutura da empresa, dentre outros itens, completam a diferença entre os tipos de empresas e aeronaves.
– Ah, mas o avião da Chapecoense tinha as 2 caixas pretas (laranjas) mas estas não gravaram os últimos 2 minutos do voo!
Sim, isto é verdade. Para funcionar, os equipamentos precisam de energia elétrica e, quando acabou o combustível e os motores pararam, acabou a energia. Aquela aeronave não possui a RAT (O que é isso???).
Muito se especula sobre o acidente envolvendo uma aeronave King Air C90GTx que deixou 5 vítimas fatais – incluindo o ministro do STF. Minha posição em todo e qualquer tipo de acidente aéreo é: evitar especulações e não tirar conclusões sem antes ler o relatório final do acidente emitido pelas autoridades responsáveis por isto. No caso do acidente envolvendo o time da Chapecoense, até escrevi algumas observações em meu perfil no Facebook tentando “clarear” um pouco algumas informações/boatos que surgiram e, normalmente, são criados pelos “especialistas da internet”. As primeiras “notícias” sobre o acidente com o King Air diziam que a aeronave não possuía os gravadores (são opcionais neste modelo). Depois, a FAB disse que encontrou “um gravador de voz” (opa, afinal, ele estava equipado com isto ou não?). Minha recomendação: aguarde até o final do relatório.
Desde que os primeiros seres (ditos “humanos”) inventaram a linguagem, acabaram também por criar as “Teorias da Conspiração”. No caso de acidente envolvendo pessoas públicas ou envolvidas em alguma atividade com alta divulgação ou importância, estas teorias ganham volume. Quero deixar claro que não estou aqui excluindo nenhuma causa! Sim, pode ter sido sabotagem ou ato criminoso (temos vários destes na história, não só da aviação). Mas também devem ser analisados, também, fatores como: clima, tripulação, desempenho da aeronave (em relação a falhas), combustível, ato criminoso, etc. Até o presente momento, nada pode ser descartado. A máxima da aviação é sempre verdade: um acidente sempre é uma sequencia de erros ou problemas que não foram impedidos. Claro, isto não se aplica para os casos de terrorismo (bombas a bordo, sequestros de aeronaves – como no 11 de setembro ou no caso daquele Boeing 777 que foi atingido por um míssil sobre a Ucrânia)!
Para tranquilizar a maioria das pessoas, faço uma observação: vocês voam (pelo menos 99,99% das pessoas que conheço) com empresas da Aviação Comercial! O nível de segurança é muito maior!
Outra observação: 2016 foi um dos anos mais seguros da história da aviação! Não acredita? Veja o gráfico abaixo, que mostra a quantidade de acidentes por ano, desde 1946, envolvendo aeronaves de 14 ou mais passageiros – comerciais e executivas!
estatisticas
O ano de 2016 só perdeu para 2015 (o ano com o menor número de acidentes nesta série de medições). Foram 325 vítimas fatais em 19 acidentes (3 na decolagem, 1 durante a subida até o nível de cruzeiro, 13 em cruzeiro, 2 na aproximação para pouso e nenhum na aterrizagem – para aqueles que gostam de tudo nos detalhes). No Brasil, não tivemos acidentes com vítimas fatais que se enquadram neste critério (aeronaves com 14 ou mais passageiros). Em 2015, foram 16 acidentes e 265 vítimas fatais.
Considerando o volume mundial de voos com passageiros, cerca de 35.000.000 voos, a taxa de vítimas fatais ficou de 1 para cada 3.200.000 voos! (dos 19 acidentes, 11 foram com aeronaves de passageiros! E, destes 11, 2 foram causados por atos de terrorismo!).
Voar é seguro! Se não acredita, veja as estatísticas!
Tenham bons voos!
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