Mais uma ave rara… Ou baleia voadora?

A fabricante de aeronaves Airbus fica na Europa. É formada por fábricas localizadas em diferentes países (observe na figura quais são as partes de um A380 e onde são produzidas). Por tradição, cada fábrica (própria ou parceira) produz uma “peça inteira” (um pedaço do avião). Posteriormente, cada pedaço é transportado para uma área de montagem onde nasce o avião (sim, sai de lá pronto e pintado). No início, cada parte era transportada por via terrestre (imagine o transtorno em bloqueios de estradas e passagens) e marítma (onde possível). Com o aumento da escala de produção (aumento da demanda), aumento das aeronaves e dificuldade de manuseio de uma carga deste volume (apesar de não ser muito pesada para seu tamanho) a Airbus decidiu partir para o transporte aéreo.

No início, a Airbus fez uso de um avião de carga da Boeing que teve a fuselagem modificada para poder transportar os grandes volumes. Ficou chato. Diziam que cada Airbus foi transportado nas asas de um Boeing. O pessoal da Airbus cansou da piada e resolveu adaptar um de seus projetos (o Airbus A300, na foto, uma fuselagem branca e cauda vermelha). O A300 teve sua fuselagem modificada para aumentar o volume de carga que pode levar. Observe que a carga entra pela frente (acima da cabine dos pilotos), abastecida por uma esteira. Não é o avião de carga com maior capacidade de transportar peso, mas é o que carrega mais volume.

Originalmente, o nome desta ave era “Super Transporter” (ou Super Transportador). Mas, por razões obvias, iniciaram as comparações com uma espécie de baleia, as belugas (foto acima). A Airbus não resistiu por muito tempo e logo mudou o nome do projeto para Beluga. Agora, a Airbus está trabalhando em um projeto maior, o Beluga XL, que será baseado no Airbus A330. Este “belugão” deve iniciar seus voos lá por 2020.

O Beluga é voado por 2 pilotos, carrega 47 toneladas de carga e tem 1.410 metros cúbicos de volume para cargas.  Tem 56,13 metros de comprimento e 44,84 metros de asa a asa. Tem autonomia de 2.779 km quando leva 40 toneladas ou 4.632 km quando leva 26 toneladas.

Fly safe.

Existe diferença?

Se eu disser que estes 3 painéis são quase equivalentes, muitas pessoas vão dizer que não. Mas, acreditem, as funções são muito parecidas. Pensei em escrever uma série comparando cada parte e função (vai dar um certo trabalho e levar um tempo)… não consigo fazer isto em um post apenas. Estou “simplificando” bastante a fim de ser mais didático. Obvio que as aeronaves tem toda uma parte de navegação, rádios, controles de superfícies de voo, etc. Meu objetivo é mostrar que tem muita coisa em comum e tentar tirar um pouco daquela cara de espanto que as pessoas fazem quando entram em um cockpit.

Bom, vamos começar com algumas observações básicas mas que mostram que apenas aumentam o número de medidores e mostradores.
– nossos carros tem 1 motor, um avião tem 2 (ou mais) + a APU
– Nosso carro anda em um plano de 2 dimensões (frente, trás, direita, esquerda), um avião em 3 dimensões (além das 2 do carro, vai para cima e para baixo)
– Nosso carro tem 1 tanque de combustível, um avião tem 3 (ou mais, em cada asa e no centro da fuselagem)
– Ambos tem luzes (farol, sinaleira, etc), sistema de climatização, freios, freio de estacionamento, acelerador, “volante”, fuzíveis, bateria, pneus, portas…
– Aeronave tem banheiros e “cozinhas”… mas já vi alguns carros com mais comida espalhada do que em muitos aviões (quem tem filhos entenderá).

Chega por enquanto, pensei em comparar parte por parte na série… se quiserem, deixem nos comentários ou mandem mensagens.

Voos longos…

Estava vendo os voos internacionais chegando aqui em Guarulhos e lembrei da ida (e a volta) para Dubai voando Emirates. Devido aos ventos predominantes, a ida leva “apenas” 14 horas e 30 minutos e a volta levou 15 horas e 30 minutos (já escrevi sobre vento aqui). A aeronave é um Boeing 777. O que salva a viagem (e impede que passageiros entediados tentem abrir a saída de emergência e saltar lá de cima) é o WiFi a bordo. Sim, você pode ir acessando seu whatsapp, mandando e recebendo fotos, lendo seus emails, acessando suas redes sociais. Infelizmente, isto ainda não é uma realidade disponível em todos os lugares (a Gol pretende implantar isto até o final deste ano nos seus voos). Pesquisei outros voos longos e demorados:

Sidney – Dallas: 16 horas (13.800Km) em um Boeing 747. Pela duração do voo, o avião teve algumas melhorias ergonômicas e recebeu um bar onde os passageiros podem ir comer, beber e esticar as pernas. O voo é tão longo que no trajeto de Dallas para Sidney, o avião tem uma escala em Brisbane para reabastecer.

Atlanta – Johannesburgo: o campeão, 16h55m dentro de um Boeing 777 em 13.580Km. Difícil pensar no que fazer este tempo todo dentro de um aviao.

Dubai – Los Angeles: 16h30m e 13.400Km voados. A Emirates colocou um de seus Airbus A380. Equipado com 14 suites na primeira classe, 76 poltronas que viram cama na executiva e 399 coitados na classe econômica (andar de baixo do avião). Pelo menos todos tem WiFi.

Nova York – Hong Kong: voando num 777 da Cathay Pacific (uma das melhores cias. aéreas do mundo) por 16 horas (13.000Km), o passageiro recebe 3 refeições completas.

Existem voos mais longos, como São Paulo – Seoul, mas tem escala no meio do caminho. Os trechos acima são os mais longos sem escala.

O que você faz em voos de longa duração???

O que é isso???

Alguém sabe o que é isto? Uma espécie de “motor de estepe” de avião? Um terceiro motor para ajudar na subida? Montagem na foto?

Bom, o nome técnico é R.A.T. (Ram Air Turbine) e sua função é muito nobre e importante. É o tipo de equipamento que os passageiros normalmente nunca viram e seu uso é muito raro. Mas, quando necessário, é bom saber que ele está ali.
A RAT é uma turbina acionada pelo fluxo de ar ao redor do avião quando em voo. Esta pequena turbina gera pressão hidráulica ou eletricidade para manter 1 sistema hidráulico funcionando e energia elétrica para os instrumentos básicos de voo (aviação se baseia em redundância, por exemplo, um Airbus possui 3 sistemas hidráulicos). Um dia, se for do interesse de alguém, posso entrar em mais detalhes sobre os sistemas hidráulicos. Por enquanto, vamos dizer que são eles que “fazem a força” para mover os controles do avião. Os aviões possuem no mínimo 3 turbinas. Opa, como assim 3? Sim, eles tem 3 (alguns tem 5, como o 747, A340 e A380). Uma embaixo de cada asa (seus motores) e uma que funciona como um gerador na cauda (chamada de APU). Tá, mas e o que a RAT tem a ver com isto tudo?
Em caso de perda total de força (perda dos motores e APU desligada ou avariada), o RAT é acionado de forma automática (ou manual). Funciona como um “cata vento” ou um moinho de vento. Normalmente, fica na fuselagem ou embaixo de uma das asas. Com a energia da RAT, os pilotos tem condições de manter o básico da aeronave. O diâmetro típico de uma RAT é 80cm mas, em um A380, ela tem 1,63m. Sei de pelo menos 6 incidentes onde a RAT teve papel fundamental… se alguém quiser mais detalhes, me avise.